O insulto do Presidente da Cabo Verde investimentos a toda a classe dos Arquitectos, em 4 de Julho de 2007, para ser entendido na sua plenitude deve ser observado no contexto político em que aconteceu.
Nessa data já havia passado um ano desde que a OAC denunciara, a partir dos Espargos, sede da sua Delegação Regional do Leste, a rapina que caiu sobre os terrenos das ZDTIs do Sal, comandada pelo então Ministro da Economia e pelo Presidente da Cabo Verde Investimentos.
Essa rapina consistiu na atribuição gratuita a empresas nacionais da imobiliária, que então ambicionavam entrar na imobiliária turística, de centenas e centenas de hectares de terrenos das ZDTIs para assim poderem constituir parcerias com investidores externos. Até hoje, nem fumo nem mandado dessas parcerias, os terrenos continuam na sua maioria baldios e não se conhece com clareza quem são os seus verdadeiros donos, pois se o próprio Governo os vendia, em vez de os dar em concessão, como é que se impediria os nacionais de fazerem o mesmo?
A OAC contestou tal rapina veementemente durante todo o ano de 2006 e, já desde 2005 quando o Presidente da Câmara Municipal do Sal, Jorge Figueiredo decidiu elaborar o PDM da ilha, comprometendo-se com a transparência desse processo, com audiências públicas e solicitando o apoio técnico e institucional da OAC, esta o apoiou firmemente.
Depois de o Governo de então ter atribuído as Salinas de Pedra de Lume a um empresário da imobiliária (em circunstâncias pouco claras até hoje) e a OAC ter dado razão ao Presidente Jorge Figueiredo na contestação pública veemente que este fez, o Governo foi à TCV dar-nos esse recado, de que estávamos fora do processo da construção do país, pois não conhecíamos nem um hotel de 5 estrelas.
É neste contexto que se deve compreender o ataque feito pelo Governo de então através do Presidente da Cabo Verde Investimentos.
Porque o facto é que quando o indivíduo que comandava toda a máquina da atracção do investimento externo (e que fazia o investidor estrangeiro sentar e levantar, ir e vir) ia à Televisão pública, em horário nobre, dizer tudo aquilo de nós, evidentemente que eram os responsáveis máximos da governação do país que nos estavam a descartar como técnicos e como cidadãos com direito a contribuir para o desenvolvimento do seu país.
O detalhe interessante é que no dia seguinte ao insulto, esse indivíduo telefonou a muitos arquitectos a lhes dizer que o insulto não era dirigido a eles. O alvo era um “rapazinho atrevido” que estava a fazer as funções de Presidente da OAC.

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